Há palavras que se usam de tal forma que perdem o sentido. “Autêntico”, “tradicional”, “artesanal” – dizem-se tantas vezes que já não dizem nada. Mas há uma que continua a significar exatamente aquilo que promete, porque é a lei europeia que a define: DOP.
E o azeite que nasce à nossa porta tem uma.

O que é, afinal, uma DOP
Uma Denominação de Origem Protegida é um selo da União Europeia que certifica que um produto é feito numa região específica, com métodos definidos, e que as suas características resultam daquele território – do seu clima, do seu solo, do saber das suas gentes.
Não é uma alegação de marketing. É um estatuto atribuído e fiscalizado: existe um caderno de especificações que define as variedades de azeitona admitidas, as condições de apanha e transporte para o lagar, as condições de laboração e as características do produto final. E existe uma entidade certificadora que verifica tudo – no caso do nosso azeite, a Kiwa Sativa.
Por outras palavras: quando um azeite ostenta a menção Azeite de Trás-os-Montes DOP, não está a contar uma história. Está a apresentar um documento.
Onde nasce este azeite
A DOP Azeite de Trás-os-Montes abrange os concelhos de Mirandela, Vila Flor, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Vila Nova de Foz Côa e Carrazeda de Ansiães, além de algumas freguesias de Valpaços, Murça, Torre de Moncorvo, Mogadouro, Vimioso e Bragança.
É o coração daquilo a que se chama a Terra Quente Transmontana – e é daqui, de Vila Flor, que escrevemos.
As castas: quatro nomes que fazem um sabor
O Azeite de Trás-os-Montes DOP é produzido a partir de variedades de azeitona bem definidas: Verdeal Transmontana, Madural, Cobrançosa e Cordovil, entre outras.
Cada uma traz o seu contributo. É da conversa entre elas – e do clima que as amadurece – que nasce o perfil deste azeite.

Como sabe
A descrição oficial é, curiosamente, bastante poética: um azeite equilibrado, com cheiro e sabor a fruto fresco, por vezes amendoado, e com uma sensação notável de doce, verde, amargo e picante – características que o distinguem dos demais azeites do país.
Vale a pena parar nestas quatro palavras: doce, verde, amargo e picante. Quem não está habituado estranha que o amargo e o picante sejam qualidades. Mas são precisamente esses os sinais de um azeite vivo, rico nos compostos que o tornam saudável e saboroso. Um azeite que não amarga nem pica ligeiramente na garganta é, muitas vezes, um azeite cansado.
Uma história antiga
O consumo de azeite em Trás-os-Montes remonta à Antiguidade. Sabe-se que a plantação de olivais em Mirandela deve datar da primeira metade do século XVI. Em 1894, a produção da região chegava aos 776 quilolitros e, dois anos depois, existiam já doze lagares só na vila de Mirandela. Em 1903, o azeite desta região conquistou a medalha de prata na Exposição Agrícola.
Ou seja: não estamos a descobrir nada. Estamos a continuar.
A árvore sagrada
Há um pormenor que diz muito sobre esta terra. Os olivicultores de Trás-os-Montes estão entre os que mais cuidado põem no cultivo da oliveira e na apanha manual da azeitona, feita nas melhores condições possíveis.
E há uma frase, na descrição oficial da DOP, que resume séculos de relação entre um povo e uma árvore: na Terra Quente de Trás-os-Montes, pelo seu rendimento, a oliveira é ainda hoje considerada uma árvore sagrada.
Quem cresceu aqui não precisa que lho expliquem.
Porque é que isto importa
Portugal produz azeites de qualidade excecional que, durante demasiado tempo, ficaram à sombra dos vizinhos. Isso tem vindo a mudar – e a Terra Quente tem um papel nessa mudança.
Para nós, a DOP é mais do que um selo. É a prova de que este território tem uma identidade própria, reconhecida para lá das nossas fronteiras. E é por isso que fazemos o que fazemos: escolher, aqui, o que merece chegar mais longe.
Corrente D’Alfazema. O aroma de uma terra genuína.
Fonte: Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), ficha oficial do Azeite de Trás-os-Montes DOP.

